Novas trilhas elevaram o nível do desafio em Caetanópolis, enquanto uma chegada decidida por apenas dois segundos coroou um dia de estratégia, resistência e cuidado com os cavalos.

Mais uma vez, a família Abreu abriu as portas do Haras Minas Gerais Endurance para receber a comunidade do Enduro Equestre. Na Fazenda Olhos d’Água, em Caetanópolis, atletas, equipes e familiares encontraram uma recepção carinhosa, uma característica que, ao longo dos anos, transformou as provas realizadas no local em encontros especialmente aguardados no calendário do Enduro Nacional.
Realizada em 29 de agosto, a edição de 2026 reuniu 38 conjuntos, distribuídos por nove categorias.
Um percurso ainda mais técnico
Mais do que velocidade, as trilhas pediram estratégia. Era preciso reconhecer os pontos em que seria possível avançar, identificar os trechos que exigiam redução de ritmo e administrar o esforço dos cavalos ao longo dos diferentes anéis. As constantes variações do piso tornaram cada decisão importante para o resultado final.

O desafio técnico foi ampliado pelas condições climáticas. Os termômetros ultrapassaram os 30 °C e a chuva registrada no início da semana aumentou a umidade do ambiente. A combinação entre calor, umidade e exigência do percurso colocou em primeiro plano um dos fundamentos do Enduro: preservar o cavalo durante toda a competição.
Atletas e equipes de apoio precisaram redobrar a atenção ao ritmo, à hidratação e aos procedimentos de resfriamento, acompanhando continuamente a resposta de cada animal. O objetivo não era apenas completar a distância, mas chegar à inspeção veterinária final com o cavalo em boas condições físicas e metabólicas.
Como explicou o veterinário da competição Danilo Minchilo:

A alta umidade reduz a eficiência da troca de calor dos animais. Esse efeito pode retardar a recuperação após cada anel, aumentar o tempo necessário para a apresentação no Vet Check e provocar maior oscilação da frequência cardíaca. Nesse cenário, conhecer o próprio cavalo e saber interpretar suas respostas tornou-se tão importante quanto conduzi-lo pelas trilhas.
Dois segundos decidem os 100 quilômetros
O ponto alto do dia aconteceu na chegada do CEI1* 100 km. Depois de quatro etapas e mais de cinco horas de prova, Renato Moraes Salvador Silva, montando Monpazier Trio, e Ana Carolina Pereira Bernardes, com Brasil BV, chegaram juntos ao trecho final e protagonizaram o esperado sprint.

Renato e Monpazier Trio cruzaram a linha de chegada em 5h27min31s. Ana Carolina e Brasil BV vieram logo atrás, com 5h27min33s. Apenas dois segundos separaram os dois primeiros colocados, que terminaram os 100 quilômetros com a mesma velocidade média de 18,32 km/h. O resultado traduziu a intensidade de uma disputa construída anel após anel e decidida somente nos últimos metros.

Apenas dois segundos separaram os dois primeiros colocados, que terminaram os 100 quilômetros com a mesma velocidade média de 18,32 km/h. O resultado traduziu a intensidade de uma disputa construída anel após anel e decidida somente nos últimos metros.
Uma prova que deixa vontade de voltar
As novas trilhas foram aprovadas e o desafio técnico oferecido pelo percurso tornou a experiência ainda mais marcante. Caetanópolis mostrou novamente por que ocupa um lugar especial no Enduro brasileiro: ali, esporte, estratégia, natureza e hospitalidade caminham juntos.
A edição de 2026 reforçou também a essência da modalidade. O Enduro não é apenas uma disputa contra o relógio. É um esporte construído sobre a parceria entre cavalo e atleta, no qual planejamento, conhecimento e respeito aos limites do animal determinam até onde cada conjunto pode chegar.

Entre a recepção cuidadosa da família Abreu, os desafios criados por Cadão e a emoção de uma chegada decidida por apenas dois segundos, a prova terminou deixando uma certeza entre os participantes:
a expectativa para a edição de 2027 já começou.

