Com uma performance impecável e uma chegada emocionante, José Caio Frisoni Vaz Guimarães conquistou o título de Campeão Pan-Americano Adulto de Enduro Equestre 2025, consolidando seu nome entre os grandes do esporte.
Criado em meio às trilhas e à paixão pelos cavalos, Caio carrega no sangue a tradição do enduro equestre brasileiro. Sobrinho de dois pioneiros da modalidade no país — Adolfo Naves e Malu Frisoni —, ele começou a competir aos cinco anos, ao lado do pai, e desde então vem construindo uma carreira marcada por consistência, talento e conquistas expressivas.
Nos últimos cinco anos, sua trajetória tem sido especialmente brilhante, com títulos importantes como o de Vice-Campeão Brasileiro CEI 3* 160 km (2021), Bicampeão Brasileiro CEI 3* 160 km (2023 e 2024), 3º lugar no Pan-Americano Adulto 2023 e, agora, o tão sonhado ouro pan-americano em 2025.
Nesta entrevista exclusiva, Caio compartilha sua história, a conexão com os cavalos, os bastidores da preparação para o Pan-Americano e a emoção de conquistar o lugar mais alto do pódio.

Como começou sua trajetória no Enduro Equestre e o que motivou você a seguir nesse esporte?
Comecei no enduro quando eu tinha mais ou menos 5 anos de idade. Montava um appaloosa chamado Bullmore e fazia as provas com o meu pai. O enduro sempre esteve presente na minha família — antes mesmo de eu nascer, meus pais (Zé e Mia), juntamente com minha tia Malu Frisoni e meu tio Adolpho Naves, organizavam provas de enduro, a Copercon. Desde que comecei, nunca mais parei — e pretendo não parar nunca. Acho que está no sangue (risos).

Como foi sua preparação para o Pan-Americano? Além do condicionamento físico, houve também um tRabalho mental ou emocional?
A preparação para o Pan-Americano começou há muito tempo. O projeto já era sonhado e idealizado por toda a equipe. O Daniel e o Valmir se dedicaram dia e noite para manter o Stud Brasil Itajara na melhor forma da vida dele até o dia da prova. Foram dias e mais dias de longos treinos, conversas intensas para definir a estratégia da prova — sempre com o olhar atento e profissional do Dr. Henrique Garcia.
Eu comecei minha preparação física seis meses antes da prova, com acompanhamento mensal do Dr. Gabriel Haj (endocrinologista e nutrólogo) e do personal Diego Anjos, para que chegássemos ao peso ideal no dia da prova, com o corpo fisicamente e mentalmente preparados.

Você largou para o último anel em 4º lugar e conquistou a vitória com um sprint emocionante. Qual era sua estratégia nesse momento decisivo — e como conseguiu colocá-la em prática?
Sim, largamos para o último anel em 4º lugar. Nós sabíamos que o Itajara estava inteiro e com muita energia para fazer os últimos 20 km. Sabíamos que a força muscular dele faria muita diferença nesse momento da prova — e usamos isso a nosso favor. A equipe de apoio estava muito tranquila com o estado do Itajara, o que me deu ainda mais confiança para fazer o que precisava ser feito. E foi exatamente isso que fizemos: deixamos o Itajara correr, do jeito que ele sabe, nos lugares que ele conhece e gosta.

A estratégia da prova foi algo planejado desde o início ou você precisou fazer ajustes ao longo do percurso?
O Itajara se comportou exatamente como nós havíamos pensado. Os tempos de recuperação em cada Vet check, a energia, a distância que estaríamos de cada pelotão — tudo ocorreu da maneira que havíamos estudado e trabalhado. Por isso, não precisamos mudar a estratégia no meio da prova.
Como é a sua rotina de treinos — tanto a sua quanto a do seu cavalo — para manter o alto rendimento em provas tão exigentes?
Eu faço musculação três vezes por semana, faço bastante cárdio (geralmente corrida) e, aos sábados, vou para o Haras Bluegrass para treinar os cavalos. O Itajara treina seis vezes por semana, tendo apenas um dia de descanso. Ele é sempre muito bem cuidado pelo Daniel, pelo Valmir e pela minha mãe, que está todos os dias nas cocheiras com os cavalos. Além dos treinos, ele conta com acompanhamento rigoroso do Dr. Henrique Garcia, faz quiropraxia com o Dr. Cristian Scheleguel e é ferrado pelo Iosnique.

Que conselho você daria para atletas que sonham competir em alto nível no Enduro Equestre?
Acho que esforço e dedicação são a chave. É preciso querer e estar disposto, muitas vezes, a abdicar de algumas coisas em nome de um projeto. Quando o trabalho duro é feito com amor e paixão — principalmente pelos cavalos —, não tem como dar errado.
O que o Enduro representa para você — não só como atleta, mas como pessoa?
Acho que o enduro é a minha válvula de escape. No enduro — e principalmente com os cavalos — consigo me conectar com a minha essência e esquecer do turbilhão de coisas que acontecem nas nossas vidas. Sem dúvida nenhuma, o enduro ajudou a formar a pessoa que sou hoje, e tenho certeza de que ainda vou aprender muita coisa com ele.
Como é a sua relação com o cavalo que te acompanha nas competições? O que considera essencial para construir essa conexão tão importante?
A minha relação com o Itajara é muito forte. Já fizemos muitos quilômetros juntos, cruzamos a Cordilheira dos Andes e vivemos muitas experiências juntos. Acho que essa conexão não nasce do dia para a noite — e não nasce só montando. Vai muito além disso: é sobre estar juntos em todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. É sobre curtir a companhia do seu cavalo também fora das competições. Acho que o Itajara é a minha alma gêmea em forma de cavalo (risos).

Qual foi o momento mais desafiador do Pan-Americano 2025 e como você conseguiu superar esse obstáculo?
Acho que o Pan-Americano, por si só, já é muito desafiador. A chegada do último anel, após o sprint, foi muito desafiadora. Acredito que só superamos esse momento porque temos uma equipe muito coesa, forte, trabalhadora e, principalmente, apaixonada.
Quais são seus próximos objetivos na carreira esportiva? Já tem outras competições em vista?
Acho que agora é olhar para frente — em breve teremos o Campeonato Brasileiro, e esse é o foco principal no momento. Fora isso, o sonho de representar o Brasil mais vezes está a todo vapor. Já é hora de começar a pensar na estratégia e nas qualificações para os próximos campeonatos.
Quem são suas maiores inspirações no Enduro — ou no esporte em geral?
No enduro, sem dúvida nenhuma, a minha maior inspiração é a Virginie Atger — acho que todos que me conhecem sabem disso (risos). Sou encantado com o jeito dela montar e com a forma como sempre apresenta os cavalos em perfeitas condições.
Fora a Virginie, acho o Philippe Thomas um grande cavaleiro.
Fora do enduro, Adolfo Cambiaso é outro que me inspira a sempre ser melhor.

